Notícia

29/01/2009 at 5:41 pm 1 comentário

Participação de ONGs ainda é ponto frágil da Conferência de Revisão de Durban

Baixa presença de organizações brasileiras e pouco empenho do governo brasileiro são temas de oficina no FSM

 

Há menos de três meses da Conferência de Revisão de Durban, ativistas de movimentos sociais, sobretudo do Movimento Negro, alertam para o pouco empenho do governo brasileiro com a divulgação do evento e a garantia de participação da sociedade civil no processo. Os problemas gerados pela falta de interesse governamental foram discutidos durante oficina sobre a Conferência no Fórum Social Mundial (FSM), no último dia 31.

Jurema Werneck, da organização Criola, avalia que há certa desmobilização da agenda de Durban no Brasil e no mundo antes mesmo da convocatória da Conferência. “Existem várias razões para isso: ataques de governos e grupos contrários, escassez de recursos, análises pouco profundas sobre o quanto conquistamos em Durban, sobrecarga de agendas e atividades. Os documentos das conferências por si só não garantem a implementação das ações necessárias. É preciso reconhecer, ainda, um importante grau de cooptação das organizações pelos governos do Brasil e de outros países da América Latina. Isso tem feito com que o tema não ocupe posição de prioridade”.

Seja como for, o fato é que a participação brasileira no processo da Conferência de Revisão não corresponde ao potencial do país. Isso é o que argumenta Iradj Eghrari, da Ágere: “Basta ver como foi a participação viva, ativa e presente na Conferência Preparatória da America Latina e o Caribe, que aconteceu no ano passado em Brasília”. E complementa: “Se apenas quatro organizações brasileiras estiveram presentes na segunda reunião do Comitê Preparatório da Conferência Mundial, em Genebra, em outubro último, isso ainda pôde se dar por conta dos recursos destinados pela Avina, uma organização de apoio que se sensibilizou com o caso, e ainda pelo Unfpa. Afora isso, não houve um centavo para garantir a nossa presença no processo, sobretudo do Estado brasileiro”.

Entre as possíveis saídas para o problema, há o apoio financeiro vindo de outras organizações não governamentais e órgãos do sistema ONU. Representantes da Avina, Oxfam, ActionAid, entre outras organizações presentes na oficina do FSM, bem como o Unifem se comprometeram com suporte político para as ONGs e mobilização perante agências de financiadoras.

Preocupação semelhante foi apresentada dias antes por Ibrahim Salama, chefe da seção de Tratados de Diretos Humanos, do Alto Comissariado das Nações Unidas para Direitos Humanos (ACNUDH), durante a última reunião do Grupo de Trabalho Intergovernamental do Comitê Preparatório, realizada entre os dias 19 e 23 de janeiro. Sobre as dificuldades financeiras enfrentadas pela Conferência de Revisão e a necessidade de fundos adicionais, Salama explicou que o orçamento previsto cobre as despesas básicas e que outros recursos são necessários para, entre outras coisas, o “empoderamento e a participação das ONGs”.

Apesar dessa pendência sobre financiamento suficiente, a UN Watch, organização voltada para o monitoramento das Nações Unidas, considera que um Fórum de ONGs ainda é uma possibilidade, tendo em vista que as orientações para financiamento já foram elaboradas e uma comissão já foi formada para avaliar as solicitações das ONGs.

Uma coligação de ONGs de direitos humanos e anti-racistas está organizando a chamada Cúpula de Genebra, evento a se realizar em 19 de abril, imediatamente antes da Conferência de Revisão, de 20 a 24 do mesmo mês. Entre as organizações que lideram o processo, estão a Freedom House (EUA) e da UN Watch (Suíça). Segundo os organizadores, o objetivo é “identificar as situações mais prementes da agenda mundial”, e “promover os direitos humanos universais por meio da erradicação da discriminação, da intolerância e da perseguição”. Proeminentes ativistas dos direitos humanos e dissidentes entre previstos entre os oradores.

Criola, Geledés, Cfemea e Ágere informaram que já conseguiram recursos para a ida de um grupo mínimo de representantes nas atividades de abril, e que, atualmente, buscam garantir a participação de outros.

 

Por: Ana Flávia Magalhães Pinto, a partir também de informações do NGO Monitor 
Anúncios

Entry filed under: Sem categoria.

Nota Notícia

1 Comentário Add your own

  • 1. Ras: Editon Dias  |  03/02/2009 às 2:24 pm

    .Shalom que YEHOVAH
    .Nos Abençoe;temos que precionar O Governo Brasileiro para que eles Articulem há Ida das Ong’s e Movimentos negros e Quilombolas há Conferência contra O Racismo em Genebra 20 a 24 de Abril de 2.009.Pois Chegou há Hora do Movimento Negro colocar O Governo Brasileiro na Parede e Precionar!
    .É Hora de Reagir !
    .Reaja Povo Preto !

    .Shalom !
    E Que O D”US Etíope da Rainha de Sabá e o Rei Salomão nos Abençoe!
    Que YEHOVAH NOS Abençoe!
    Ras:Editon Dias
    Coordenador Executivo da ACQUILERJ – Associação Estadual das Comunidades de Remanescentes de Quilombos do Estado do Rio de Janeiro/Campinho da Independência/Paraty – RJ!

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

Trackback this post  |  Subscribe to the comments via RSS Feed


No Twitter

Erro: o Twitter não respondeu. Por favor, aguarde alguns minutos e atualize esta página.

Feeds

Visitas ao Blog

  • 19,350 visualizações

%d blogueiros gostam disto: