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Especialistas querem assegurar visibilidade de dados sobre afrodescendentes no censo

Governo Brasileiro e Nações Unidas realizaram esta semana seminário para discutir a falta de dados referentes aos censos demográficos de raça e etnia de afrodescendentes e indígenas. O evento aconteceu em Brasília, nesta terça e quarta-feira (23 e 24 de junho).

O Seminário Internacional Dados Desagregados por Raça e Etnia da População Afrodescendente das Américas levantou discussões sobre como assegurar a visibilidade de dados estatísticos de afrodescendentes na região das Américas. Dos 19 países latinoamericanos, apenas nove possuem base de dados sobre afrodescendentes. A realidade não é diferente com os povos indígenas.

A Oficial do Programa em Saúde Reprodutiva e Direitos do Fundo de População das Nações Unidas do Brasil, Fernanda Lopes, ressalta a importância dos dados demográficos para a criação de políticas públicas. No Brasil, o IBGE, Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, é quem realiza a pesquisa anual.

“No censo nós vamos saber quantos nós somos, tanto indígenas como negros. E a partir daí definir quais são as prioridades para cada segmento. É isso que orienta a tomada de decisão, a definição de orçamento, a formação dos profissionais para responder adequadamente às necessidades e à organização dos serviços para garantir que as prioridades sejam efetivamente contempladas”, destaca Fernanda Lopes.

No censo demográfico do IBGE, na categoria raça etnia, constam as opções branco, preto, pardo, amarelo e indígena. Cada pessoa se auto-identifica na pesquisa. No entanto, nem sempre a declaração está de acordo com a realidade.

Na opinião do analista do IBGE, José Luis Petruccelli, os dados fornecidos pelo instituto tem servido de auxílio para a identificação dos problemas sociais. “Muita coisa tem sido feita com os dados que a gente dispõe. A desigualdade sócio-econômica por grupos racial faz mais de 20 anos que vem sendo mostradas e denunciadas para as pessoas como as condições de vida, educação, trabalho, assistência médica, são tão desiguais entre os grupos raciais.”

Reportagem Karina Cardoso, da Rádio Nacional da Amazônia

25/06/2009 at 2:19 pm Deixe um comentário

Sociedade civil da América Latina e Caribe seguirá em busca de avanços na Conferência de Revisão

Genebra – O apoio ao documento base para a Conferência de Revisão de Durban não impedirá os ativistas da América Latina e do Caribe de buscar avanços nos próximos dias, até mesmo na tentativa de evitar que a pauta de discussões se concentre apenas nas disputas entre europeus e árabes.

As entidades latino-americanos e caribenhas já apresentaram, inclusive, diversas sugestões de debates e novos acordos aos representantes de países do Grupo Latino-Americano e do Caribe (Grulac). O diálogo ocorreu durante reunião promovida pela missão diplomática brasileira, sexta-feira (17), na ONU.

fotodorotheaNeste encontro, a coordenadora da Rede de Mulheres Afro Latino-Americanas, Caribenhas e da Diáspora, Dorothea Wilson, afirmou que a sociedade civil não abrirá mão de uma firme defesa de questões como o direito à propriedade das terras de comunidades afrodescendentes e populações indígenas.

“Também queremos avançar nas garantias do respeito à diversidade e nas questões relativas à saúde sexual e reprodutiva”, ressaltou a ativista, que condena as tentativas de supressão da categoria raça sob a justificativa de que a raça humana é única.

Esse entendimento tem sido usado para a negação da existência do racismo, apesar das diferentes identidades raciais serem reafirmadas nas práticas dos próprios grupos discriminadores.

“Defendemos o direito de manter a categoria raça. Queremos que se retome, inclusive, o debate sobre a possibilidade de um fundo especial para o povo afrodescendente e de criação de um Fórum Permanente para essa população”, enfatizou Dorothea.

A visibilização do impacto que o tráfico transatlântico e a escravidão têm nas condições de vida atuais foi outra recomendação da sociedade civil aos países do Grupo Latino-Americano e do Caribe. O ponto foi levantado por uma das coordenadoras da organização não-governamental Criola, Jurema Werneck.

“Alguns países querem fazer desaparecer ou atenuar as menções ao passado”, alertou a ativista brasileira, para quem os governos latino-americanos e caribenhos precisam sair da conferência cientes do papel que devem estabelecer localmente.

“A Declaração e o Plano de Ação de Durban ainda estão para ser implementados nos nossos países. A tarefa da sociedade civil é cobrar e trabalhar junto onde é possível para que esses mecanismos de fato venham a funcionar para nós.”

O presidente do Grupo Latino-americano e do Caribe (Grulac), o chileno Rodrigo Donoso, reconheceu como fundamental a participação das organizações na conferência. No entanto, segundo ele,  os países vão enfrentar uma forte limitação para modificar o texto base.

“Precisamos lembrar que o processo não termina nessa Conferência de Revisão, mas segue adiante”, ponderou Donoso. “Esse processo se concretiza no plano nacional e regional, no qual os países latino-americanos e caribenhos estão plenamente empenhados e abertos ao diálogo para avançar ainda mais.”

A Conferência de Revisão de Durban começa na segunda-feira (20) e já conta com cerca de 4 mil pessoas registradas – entre 100 delegações de Estado e 2,5 mil representantes de organizações não-governamentais.

Neste final de semana, as entidades da sociedade civil realizam fóruns em Genebra para troca de informações e experiências, além da articulação de ações durante a conferência.

Leia mais:
Brasil sugere combate à discriminação contra trabalhadoras domésticas

Por Juliana Cézar Nunes
Colaboradora do blog e integrante da Comissão de Jornalistas pela Igualdade Racial (Cojira-DF)

17/04/2009 at 11:12 pm 1 comentário


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