Posts tagged ‘Rede de Mulheres Afro Latino-Americanas’

Países da Europa e EUA recusam luta contra racismo

Genebra – As Nações Unidas passaram o domingo de portas fechadas. Nenhum discurso ou declaração oficial nas salas de conferências. Já nos hotéis e missões diplomáticas, movimentação intensa das delegações de países como Itália, Austrália, Nova Zelândia, Estados Unidos, Canadá, Israel, Holanda e Alemanha.

Governos que a cada hora apresentam uma justificativa para não participar esta semana da Conferência de Revisão de Durban. A fragilidade dos argumentos mostra que boa parte do mundo ainda se recusa a enfrentar o racismo, a discriminação, a xenofobia e a intolerância.

Em repúdio a essa posição, representantes das organizações da sociedade civil da América Latina e do Caribe se uniram para apoiar os países da região a seguir na conferência. Uma nota neste sentido foi enviada aos governos latino-americanos e caribenhos (leia aqui). As organizações também assinaram um manifesto internacional em defesa da Conferência de Revisão (leia aqui).

“Condenamos estas atitudes, que para nós também são expressões modernas de racismo, uma vez que excluem do debate temas como reparação para a população afrodescendente, combate à discriminação contra as mulheres e respeito à orientação sexual”, afirma a coordenadora da Rede de Mulheres Afro Latino-Americanas, Caribenha e da Diáspora, Dorothea Wilson.

Antes mesmo da chegada do presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, os países que se negam a participar da conferência anunciavam o caráter anti-semita do encontro. Até o documento base foi acusado de conter essa conotação. Negociado e aprovado por unanimidade na semana passada, inclusive pela União Européia, o texto não contém os elementos apontados.

“O documento não é contrário a Israel ou ao sionismo, até condena o anti-semitismo. Não fala de Palestina ou Gaza. Chegamos a um bom texto. Não há desculpa para não participar da conferência”, afirma a chefe da missão política brasileira em Genebra, Maria Nazareth Farani Azevedo.

Os Estados Unidos usam como argumento para a ausência nos debates o primeiro parágrafo do texto base, que reafirma a Conferência de Durban, realizada em 2001 e também acusada de anti-semitismo. Diplomatas chegaram a sugerir que uma nota de rodapé fosse incluída no novo texto, explicitando a posição norte-americana, mas ainda assim não conseguiram garantir a presença da delegação oficial.

O governo brasileiro tentou sensibilizar a administração dos Estados Unidos. O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, conversou sobre a conferência com a secretária de Estado, Hillary Clinton, durante a Cúpula as Américas. O presidente Lula fez o mesmo no encontro com Barack Obama.

“A Conferência de Revisão de Durban é muito importante para o Brasil. Não participar é um problema para os Estados Unidos. Principalmente agora, que eles têm um presidente negro, uma liderança que busca restabelecer ao país a condição de diálogo no restante do mundo”, avalia o ministro da Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (Seppir), Edson Santos (ouça trecho da entrevista).

Em Genebra, ele já se reuniu com representantes da sociedade civil brasileira. As organizações apresentaram propostas de melhorias no documento durante a conferência. Entre elas, o destaque ao combate à discriminação contra religiões de matriz africana, as formas de enfrentamentos do ódio racial, mecanismos de monitoramento das políticas públicas, promoção do acesso a educação, maior atenção e proteção para a juventude negra, trabalhadoras domésticas e as comunidades quilombolas.

Por Juliana Cézar Nunes
Colaboradora do blog Avaliação Durban e integrante da Comissão de Jornalistas pela Igualdade Racial (Cojira-DF)

20/04/2009 at 4:05 am 2 comentários

Entidades da América Latina e Caribe repudiam tentativa de boicote a Conferência de Revisão

Leia texto em espanhol

Organizações da sociedade civil e redes da América Latina e Caribe preparam um documento em repúdio às tentativas de boicote e enfraquecimento da Conferência de Revisão de Durban, marcada para esta semana, na sede das Nações Unidas (ONU), em Genebra. As entidades criticam a retirada de alguns países do encontro e a redução dos debates às questões árabes e israelenses. Neste domingo (19), a Holanda declarou sua ausência na Conferência de Revisão, unindo-se a países como Austrália, Estados Unidos, Canadá, Itália e Israel.

“Condenamos estas atitudes, que para nós também são expressões modernas de racismo, uma vez que excluem do debate temas como reparação para a população afrodescendente, combate à discriminação contra as mulheres e respeito à orientação sexual”, afirma a coordenadora da Rede de Mulheres Afro Latino-Americanas, Caribenha e da Diáspora, Dorothea Wilson.

Representantes da União Européia no comitê preparatório da conferência estão reunidos em Genebra para discutir a garantia do encontro e a permanência de outros países europeus na reunião. O Alto Comissariado de Direitos Humanos da ONU mobilizou a chanceler da Alemanha, Ângela Merkel, para solicitar a continuidade do país nas discussões marcadas para esta semana. O presidente da França, Nicolas Sarkozy, também foi contactado com o mesmo objetivo pelo secretário-geral da ONU, Ban Ki Moon.

Há ainda uma preocupação das representações diplomáticas em garantir que, no discurso marcado para esta segunda-feira (20), o presidente do Irã não volte a polemizar sobre o Estado de Israel e o holocausto. As discordâncias entre Irã, países europeus e Israel ficaram no centro dos debates na última semana, durante a reunião do comitê preparatório da conferência. Mudanças no texto base da conferência permitiram, no entanto, que um documento de consenso fosse aprovado na sexta-feira (17).

Para a organização internacional Human Rights Watch, a redação do texto final possibilitou que abordagens imprecisas sobre a questão religiosa e o Oriente Médio fossem retiradas. “As negociações mostraram que a comunidade internacional está unida para que a Conferência de Revisão de Durban chegue a uma agenda positiva de combate ao racismo”, destaca a diretora do escritório da Humans Rights Watch em Genebra, Juliette de Rivero.

“Se os Estados Unidos falharem em sua participação, irão desapontar muitos do que investiram esperança no compromisso da administração Obama no engajamento pela proteção dos direitos humanos”, complementa Rivero.

19/04/2009 at 10:24 am Deixe um comentário


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